A Pandorga e a Lei: passado-presente-futuro

Joana D’Arc Fernandes Ferraz

Resumo: Percorrendo os diferentes tempos provocados pela peça A Pandorga e a Lei (1983-1984), de João das Neves, este artigo pretende pensar as relações entre memória e crise no Brasil contemporâneo, a partir do conceito de duração e dos seus desdobramentos, inaugurado por Henri Bergson. Foi feita a leitura pública desta peça, pela primeira vez, no I Seminário do Grupo Tortura Nunca Mais – RJ, ocorrido nos dias 28, 29, 30, 31 outubro e 1º de novembro de 1985, na Universidade Cândido Mendes. Este Seminário formalizou a fundação do GTNM-RJ. Nossas reflexões têm como ponto de partida a ditadura empresarial-militar brasileira. Mais do que um tempo linear, cronológico e quantitativo, o tempo da duração é múltiplo e qualitativo. Nele, passado, presente e futuro interagem incessantemente, suscitam problemas, reativam feridas, cicatrizes e abrem brechas. Atravessar as fronteiras do tempo, olhar para os horrores do passado, perceber o que tem deste passado no presente e atentar para o que ele pode nos acenar para o futuro impõe-se como desafio à compreensão do panorama contemporâneo brasileiro.

Abstract: Going through the different times provoked by the theatre play The Pandorga and the Law (1983-1984), by João das Neves, this article intends to think the relations between memory and crisis in contemporary Brazil, starting from the concept of duration and its ramifications, inaugurated by Henri Bergson. This play was read for the first time in the 1st Seminary of the Grupo Tortura Nunca Mais – RJ (GTNM-RJ), held on October 28, 29, 30, 31 and November 1, 1985, at Cândido Mendes University. This Seminar formalized the foundation of the GTNM-RJ. Our reflections are based on the Brazilian business-military dictatorship. The duration time is multiple and qualitative more than a linear chronological and quantitative time. Which past, present and future incessantly interact, raising problems, reviving wounds, scars and opening gaps. Beyond the borders of time to look at the horrors of the past, to understand what remains of past in the present, and to consider what it can beckon us to the future, imposes itself as a challenge to the understanding of the contemporary Brazilian panorama.

Texto completo:
PDF – Artigo Joana D’Arc

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