Argentina

A ditadura empresarial-militar na Argentina, se entende em períodos fragmentados, que devem ser compreendidos para além somente do golpe em 24, de março, de 1976, na presidenta eleita Isabelita Perón. Pois mesmo que entre os governos militares, haviam tidos governos democráticos, havia a existência de um único e continuo processo: a tomada e governança de regimes empresariais militares. O processo, fruto dos diversos planos de dominação norte-americana aos grandes países da América do sul, condena a Argentina, como um dos territórios em que a expansão se faria com bastante força e representativo espaço, criando e sustentando representantes locais (militares) que erguessem a bandeira da política neoliberal até os principais postos de poder estatal e de sua sociedade. 

Como havia dito anteriormente, a tomada de governos ditatoriais na Argentina, se estendeu através de períodos fragmentados, diferentemente do que havia acontecendo no Brasil, em que durante vinte e um anos consecutivos os militares perduraram consistentemente no poder Estatal. A tomada do poder empresarial-militar na Argentina, inicia-se historiograficamente, em minha análise, com a derrubada do governo de Juan Domingo Perón, em 1955, e a tomada de seu lugar por Eduardo Lonardi e posteriormente Pedro Eugenio Aramburu, entretanto, houve pouca perduração de poder e em meados de 1958 já havia um novo presidente civil. Em 1966, é que há novamente outro golpe militar no país, levando um militar, o general Juan Carlos Onganía ao poder do Estado. Deste vez o ditador e general Onganía é quem abriu as portas para mais de seis anos de governo empresarial-militar na Argentina, que teve seu encerramento somente em 1973 com a pressão das massas e dos setores organizados de oposição. Após retornar do exílio e depois de dois presidentes da Frente Justicialista, é Perón quem de fato governa novamente o país. Porém, após 8 meses de governo Juan Domingo Perón morre e sua esposa, Maria Estela Martínez Perón (ou Isabelita Perón) é quem o sucede. Malgrado e inevitavelmente, Isabelita em menos de dois anos sofre um golpe e a Argentina, novamente assiste a derrubada de presidentes civis, em que por meio de um golpe de Estado militar uma nova ditadura é implementada. Em 1976, mais uma vez, militares tomam o poder e governam o país. Entretanto, diferentemente dos outros golpes (1955 e 1966), este período consegue se caracterizar por ser ainda mais violento e repressivo na luta contra os opositores. A famosa “guerra suja” que perseguia as guerrilhas de esquerda e/ou qualquer outro indivíduo ou grupo que exercesse oposição, deixou uma marca de mais de 30 mil desaparecidos e 2 mil mortos, são fatos como os “voos da morte” (prática que consistia em atirar ao mar prisioneiros do regime) que marcaram como exemplo os elevados índices de perseguição e morte da ditadura de 1976. Somente em 1983, debilitada e enfraquecida tanto pelo contexto externo, quanto por todos os escândalos ocorridos em seus respectivos governos, os grupos da ditadura aceitaram negociar a volta de civis aos cargos do poder.

Torna-se perceptível que a Argentina passava por um processo cíclico de entrada e saída de militares no poder, que durante anos o Estado e a sociedade argentina presenciou a instabilidade institucional e enfrentou ditaduras que trouxeram sequelas até os dias atuais. Cada ida e vinda de militares representava explicitamente o processo no qual imergia a democracia Argentina, um processo neoliberal conservador e empresarial-militar, em que o conceito de colonialidade expressa o real interesse dos conflitos. Concluímos que o cinema é uma expressão artística de excelente resgate memorial de uma época obscura e censurada, podemos fazer história e trazer história, podemos trazer a luz uma infinidade de acontecimentos silenciados, podemos perceber como o próprio cinema retrata esta época na argentina e ter desta forma, um meio de retorno a um passado ainda presente na vida de muitos argentinos.

Autor: Gabriel Mamede, graduando em Sociologia pela Universidade Federal Fluminense, integrante da linha de pesquisa “Cinema e ditadura em plataforma virtual”, vinculado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq: “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”. Bolsista de Iniciação Científica/UFF.

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