Censura

A censura no regime empresarial-militar brasileiro (1964-1985) marcou severamente a população, deixando vestígios até os dias de hoje. O governo militar buscava transparecer uma imagem de estabilidade política e a prosperidade da nação. Após a eclosão do golpe, foi criado o Serviço Nacional de Informações (SNI), em 1964 – empenhava a função de catalogar e rastrear aqueles que considerados inimigos do Estado – que substituiu o Departamento Nacional de Propaganda (DNP), de 1938. A repressão era tão intensa que pessoas contrárias ao regime eram consideradas inimigas do Estado, conforme a Lei de Segurança Nacional (Decreto-Lei nº 314, de 13 de março de 1967). Neste período, muitas instituições e empresas foram reprimidas e fechadas, pessoas presas ou vigiadas. Expressar opinião, pensar diferente do governo, falar abertamente, ouvir uma música, ler um livro, assistir um filme ou show que não expressassem a propaganda governamental poderia ser justificativa para punição, retalhamento, tortura até mesmo a morte. A população era massificada com a propaganda governamental nas instituições e nos meios de comunicação, como canais de televisão, rádio e jornais. Em todas as casas de teatro, de shows, salas de cinema, redação de jornais, rádios havia um censor. Fora proibido pelo Estado a divulgação de qualquer notícia contra o governo pelas mídias sociais – música, programas televisivos, programas de rádio, cinema, livros e jornais – com a elaboração de um Conselho Superior de Censura (1968) com base no modelo norte americano de 1939, com o objetivo de vigiar e punir órgãos de comunicação que burlassem as regras.

 

Ruth Jacob Pimenta, graduanda em Sociologia, pela Universidade Federal Fluminense (UFF), integrante da linha de pesquisa “Cinema e ditadura em plataforma virtual”, vinculado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq: “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”. Bolsista de Iniciação Tecnológica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

 

Filmes que dialogam com esta temática:

Ainda existem Perseguidos Políticos – Coletivo Catarse (Documentário, Brasil, 2012)

As memórias que me contam – Lúcia Murat (Drama, Brasil, 2013)

A mesa vermelha – Tuca Siqueira (Documentário, Brasil, 2012)

Damas da liberdade – Célia Gurgel e Joel Pimentel (Documentário, Brasil, 2012)

Em nome da segurança nacional – Renato Tapajós (Documentário, Brasil, 2012)

Eu me lembro – Luiz Fernando Lobo (Documentário, Brasil, 2012)

Infância Clandestina – Benjamim Ávila (Drama, Argentina, 2012)

Macchuca – Andrés Wood (Drama, Chile, 2003)

Memórias da Repressão – Secretaria de Comunicação Social do Paraná (Documentário, Brasil, 1991)

O Desafio – Paulo César Saraceni (Drama, Brasil, 1965)

O fim do esquecimento – Renato Tapajós (Documentário, Brasil, 2012)

Peões – Eduardo Coutinho (Documentário, Brasil, 2004)

Tatuagem – Hilton Lacerda (Drama, Brasil, 2013)

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