Estados Unidos

Desde o século XIX com a doutrina Monroe “A América para os americanos” os EUA exercem grande influência política, econômica e cultural na América Latina. Já no século XX é possível encontrarmos exemplos históricos de intervenção direta dos governos estadunidenses em países da América Latina como a construção do canal do Panamá (1904), a interferência em Cuba através da Emenda Platt (1902) e o envolvimento direto em vários momentos na revolução mexicana (1911). Essa influência estadunidense que se materializa no início do século XX nos casos supracitados, se dá direta ou indiretamente durante todo o século na América Latina. Durante todo o século XX os EUA estiveram envolvidos com os governos ditatoriais. Em Cuba, apoiaram Fulgêncio Batista. Na Nicarágua os Somoza. Na República Dominicana Trujillo.

Mas além de apoiar os ditadores já instalados no poder, os governos estadunidenses atuaram de forma ativa na instauração de ditaduras em países latino-americanos. Os processos de instauração das ditaduras na Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e outros, tiveram em comum a participação ativa da CIA (Central Intelligence Agency) e do Department of State e sua influência na geopolítica latino-americanana, no financiamento de opositores aos governos a serem derrubados, manipulação de informações (muitas vezes falsas) e no treinamento de militares destes países no que diz respeito aos mecanismos de repressão social e política.

A Escola das Américas (School of Americas) fundada em 1946 pelo governo estadunidense no Panamá é o maior exemplo desta política militar dos EUA para a América Latina. Trata-se de um centro de treinamento para militares latino-americanos, onde estes aprendiam e ainda aprendem técnicas de contra insurgência, operações de comando, treinamento em golpes de Estado, guerra psicológica, intervenção militar, técnicas de interrogação. Manuais militares de instrução destas iniciativas, primeiramente confidenciais, foram liberados e publicados pelo pentágono Americano em 1996. Entre outras considerações, os manuais davam detalhes sobre violações de direitos humanos permitidos, como por exemplo o uso de tortura, execuções sumárias, desaparecimento de pessoas, etc definindo seus objetivos como sendo o de conter e controlar indivíduos participantes em organizações sindicais e de esquerda.

Para integrar a repressão a movimentos guerrilheiros e a opositores das ditaduras em geral, no final de 1975, foi criada a Operação Condor, em Santiago do Chile. Ela aprofundou a cooperação entre as forças de segurança das várias ditaduras latino-americanas, entre elas, Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. Essa integração incluía práticas ilegais, como sequestros de cidadãos estrangeiros por policiais dos vários países envolvidos, trocas de informações sobre os grupos armados e de oposição, assassinatos de opositores no exterior (incluindo muitos políticos que participaram dos governos depostos pelos golpistas).

Neste sentido, essa sessão reúne filmes e documentários que nos permitem resgatar esses processos de intervenção estadunidense. Maior ênfase é dada ao papel dos governos dos EUA no caso brasileiro, mas é possível traçarmos linhas comuns de atuação deste país em toda a América Latina para fins de aproximação e comparação, ferramentas importantes no fazer da pesquisa histórico-sociológica.

Autor: Adriel Vargas, graduando em Sociologia pela Universidade Federal Fluminense e integrante  da Linha de Pesquisa “Cinema e Ditadura em Plataforma Virtual”, ligado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq:  “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”. Bolsista de Desenvolvimento Acadêmico (Proaes-UFF)

Filmes que dialogam com essa temática:

O dia que durou 21 anos – Camilo Galli Tavares (Documentário, Brasil, 2012)

 

 

 

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