Igreja Católica

A instituição religiosa da igreja católica, exerceu um dos mais amplos papéis na ditadura empresarial-militar no Brasil, tanto para consolidação e defesa do regime, quanto na luta de oposição e resistência.

Desde antes da derrubada do governo de João Goulart (1963-1964) a cúpula da igreja católica já afirmava seu apoio contra as forças comunistas que atuavam no país. Ironicamente, a ideia fantasmagórica da “ameaça vermelha” reaparece nos anos pré e pós 1964, se manifestando através movimentos e posições políticas e religiosas, como foi iconicamente a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, levando meio milhão de indivíduos as ruas, que pediam fervorosamente a intervenção empresarial-militar para o restabelecimento da ordem no país. São por essas e outras que certa ala da igreja mostrou seu apoio para a desestabilização do governo de Jango e sua apreensão consequente pelo militares. Entretanto, mesmo que determinadas partes eclesiásticas mostravam seu profundo apoio ao regime militar, certas alas de oposição eram duramente perseguidas, presas, torturadas e até mortas. O famoso caso dos freis dominicanos (Tito, Betto, Fernando e Ivo) que foram presos e torturados representa exatamente esta parte da instituição religiosa que sofreu pela repressão da ditadura.

Mas para além das forças católicas pró regime, os grupo de oposição foram essenciais e primordiais na resistência à ditadura, entre eles estão a Ação Católica Operária (ACO), Juventude Estudantil Católica (JEC), Juventude Operária Católica (JOC), enfim, organizações que propriamente participaram da formação de outras organizações – Ação Popular (AP) e Pastoral Operária – e até partidos políticos – Partido dos Trabalhadores (PT) fundado em 1980. Normalmente tinham como fundamento ideológico a Teoria da Libertação, isso é, a parte da igreja católica que valorizava a politização do evangelho em vista da realidade social em que se imergia determinados grupos. São inúmeras as figuras de destaque da igreja que prestaram defesa pelo direitos humanos: dom Helder Câmara. dom Paulo Evaristo Arns, Leonardo boff representam algumas destas figuras.

Somente em 1977, Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), depois de anos de regime, que realizava ações que desde o princípio desprezavam todo e qualquer valor dos direitos humanos e das ideias de Cristo, é que se instituiu uma afirmação geral de rompimento da instituição com e para o regime militar, se aderindo consequentemente aos valores democráticos, que buscavam justiça social e cumprimento dos princípios básicos dos direitos humanos.

Autor: Gabriel Mamede, graduando em Sociologia pela Universidade Federal Fluminense, integrante da linha de pesquisa “Cinema e ditadura em plataforma virtual”, vinculado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq: “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”. Bolsista de Iniciação Científica/UFF.

Filmes relacionados:

Batismo de Sangue – Helvécio Ratton (Drama, Brasil, 2006)

Frei Tito – A. Andrea Ippolito (Documentário, Brasil, 1983)

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