Imprensa Alternativa

Como resposta ao massivo apoio da imprensa hegemônica ao golpe e à ditadura militar, uma nova forma de resistência surgiu: a imprensa alternativa. O precursor dessa nova forma de jornalismo foi Millôr Fernandes, que já em maio de 1964 lança a revista Pif-Paf, que partindo de um humor ácido usava o riso para combater e criticar os excessos dos militares e os valores distorcidos da burguesia. Mas foi após o AI-5, quando os grandes jornais que apoiaram o golpe sentiram o peso da censura ditatorial, que muitos jornalistas migraram para a imprensa alternativa. Novos jornais e revistas surgiram nesse período, cada um com sua forma de promover denúncias e críticas à ditadura.

Faziam parte dessa imprensa, também conhecida como “nanica”, jornais e revistas com diferentes abordagens. Entre os principais jornais independentes estavam: Pif Paf, que posteriormente viraria o Pasquim ; Opinião; Movimento, O Bondinho; Ex ; O São Paulo; Em Tempo; Amanhã; Hora do Povo; Politika; O Repórter; O Sol, dentre outros. Alguns – como o Pasquim, O Bondinho e Ex – seguiam a linha humorística e “cartunesca” do antigo Pif-Paf . Outros tinham uma abordagem mais jornalística, focando sempre nas denúncias e em dar voz ao movimento de oposição, como são os casos do Opinião e Movimento.

Havia também aqueles jornais que circulavam na clandestinidade, sendo distribuído pelo correio ou de mão em mão pelos companheiros de luta. Alguns desses jornais foram: Voz Operária (PCB); A Classe Operária (PCdoB); Política Operária (Polop); Libertação (Ação Popular); Libertação (ALN); Bandeira Vermelha (Movimento Comunista Internacionalista). E além desses ainda existiam os jornais com uma abordagem mais social, partindo tanto da perspectiva da mulher, como das pessoas negras, indígena e dos LGBT. Alguns exemplos são: Brasil Mulher; Tição; Jonegro; Sinba; Porantim, Lampião; Beijo; Flor do Mal; Rádice. Por fim tínhamos os jornais dos partidos, dos sindicatos e do movimento estudantil, que contavam com nomes como: Tribuna Metalúrgica; Luta Sindical; Unidade; A Ponte (USP); Poeira (UEL); Avesso (USP); e outros

 

Autor: Pedro Wigand, Graduando em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense e integrante  da Linha de Pesquisa “Cinema e Ditadura em Plataforma Virtual”, ligado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq:  “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”.

Filmes que dialogam com esta temática:

Vlado: 30 Anos Depois – João Batista de Andrade (Documentário. Brasil, 2005)

O Desafio – Paulo César Saraceni (Drama. Brasil, 1965)

 

 

 

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