Imprensa Hegemônica

A maior parte da imprensa, tanto a impressa e radiofônica quanto a televisiva, com grande visibilidade e circulação no país apoiou e colaborou com o golpe de 1964. Jornais como “O Globo”, “O Estado de S. Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “O Dia”, “Correio da Manhã”, “Jornal do Brasil”, “O Cruzeiro”, dentre outros, foram responsáveis por ajudar a derrubar o governo de João Goulart e instaurar a ditadura a partir da manipulação de fatos e da construção e da manipulação da opinião pública. A imprensa hegemônica teve o papel de construir uma imagem desfavorável do então presidente, que até o momento gozava de uma considerável popularidade, preparando um campo de instabilidade e construindo no imaginário da classe média e da burguesia uma ideia de “desgoverno”, que gerou um sentimento de insatisfação nacional. Essa ideia construída de um Brasil caótico, assolado por crises e greves e ameaçado pelo velho fantasma “comunista”, era continuamente divulgada e reforçada por formadores de opiniões em TV aberta, em programas de rádio e através dos jornais impressos.  

Parte dessa imprensa que apoiou o golpe se arrependeu quando tomou dimensão da situação que havia se formado. Foram comuns os casos de jornais que haviam apoiado o golpe e que depois passaram a ser críticos do governo, como aconteceu com o famoso “Correio da Manhã” que nas vésperas do golpe publicou seus editoriais “Basta” e “Fora” contra Jango e que após o golpe se arrepende de tê-lo apoiado, colocando-se em oposição ao governo. O que levou à perseguição do jornal, culminando na prisão de sua proprietária, Niomar Moniz Sodré Bittencourt, e finalmente no seu fechamento em 1974.  

Um famoso exemplo de dissidência dessa mídia hegemônica foi a então bastante conhecida “TV Excelsior”, líder de audiência que sempre se colocou contra a ditadura e em favor da democracia, e que acabou sendo extinta em 1970, já que, devido a perseguição e a censura, muitos de seus programas foram vetados e sua audiência acabou decrescendo levando a emissora à falência. 

Com a consolidação do golpe e o advento do AI-5 em 1968 toda a imprensa passa a ser afetada pela censura ditatorial. Tanto os grandes jornais que apoiaram o golpe quanto os jornais independentes passaram a contar, muitas das vezes, com a presença de um “censor” no seu corpo editorial. Esse tipo de funcionário do governo era responsável por analisar as publicações, os programas e as novelas, vetando tudo aquilo que não estivesse de acordo com os ideais militares.

 

Autor: Pedro Wigand, Graduando em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense e integrante  da Linha de Pesquisa “Cinema e Ditadura em Plataforma Virtual”, ligado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq:  “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”.

 

Filmes que dialogam com esta temática:

O dia que durou 21 anos – Camilo Galli  Tavares (Documentário, Brasil, 2012.)

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