IPÊS (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais)

Um dos maiores veículos de propaganda que de antemão já promoviam os ideais da ditadura empresarial militar de 1964. Fundado por Augusto Trajano de Azevedo Nunes e Antônio Gallotti, visava acima de tudo por um viés audiovisual e ideológico desestabilizar o governo de João Goulart.

Com as reformas que Jango planejava fazer, o crescente medo de uma revolução comunista começou a se propagar pelo país, o que ocasionou no fato de um dos principais financiadores do IPÊS ter sido John Kennedy, presidente do EUA na época. Em vários processos de negociação, envolvendo o embaixador do EUA, Lincoln Gordon, entraram algumas empresas como Light, Cruzeiro do Sul, Refinaria União, entre outras.

Assim, apesar de a ditadura de 1964 ter sido uma ação ”protagonizada” pelos militares, o IPÊS é um dos maiores reflexos de como o EUA acabou intercedendo, assim como as ações empresariais. Como também obteve apoio de diversas instituições religiosas de viés conservador, a classe média, jornalistas e trabalhadores. Os filmes do IPÊS geralmente traziam imagens sobre ditaduras ao redor do mundo e com uma forte defesa da ”democracia”, manipulando estatísticas e informações. Em suma, uma rede publicitária de oposição ao governo de Jango, buscando propagar valores contrários às reformas e sutilmente disseminar um discurso de ódio entre a população brasileira – a classe média tem um papel fundamental em tal aspecto – com um medo constante de uma possível revolução comunista, mas sempre com o discurso de se ”trabalhar em defesa da democracia”.

Esse ”trabalho em defesa da democracia” fomentou e representou a atividade de grupos como o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) – responsável pelo incêndio do prédio da UNE – e o GAP (Grupo de Ação Patriótica), além de que o lema de se ”trabalhar em defesa da democracia” foi protagonista na Marcha da Família Com Deus Pela Liberdade.

Por fim, é interessante citar mais alguns parceiros no desenvolvimento do IPÊS, como os partidos UDN (União Democrática Nacional) e PSD (Partido Social Democrático). Alguns empresários como Walther Moreira Salles e Mário Henrique Simonsen, o poeta Alceu Amoroso Lima e escritores como Rubem Fonseca, escrevendo inclusive roteiros para os documentários do IPÊS.

 

Autor: Victor Hugo de Arruda Aranha Barbosa, graduando em Sociologia pela Universidade Federal Fluminense, integrante da Linha de Pesquisa “Cinema e Ditadura em Plataforma Virtual”, ligado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq: “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”

 

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