Militância

A militância, no contexto da ditadura de 1964, compõe-se como um elemento fundamental no desenrolar de toda a movimentação política da época. Podemos imaginá-la, na verdade, em suas múltiplas faces, seja dentro do espaço acadêmico, passando por diversos movimentos artísticos até as guerrilhas que agiram tanto no campo como nos centros urbanos. Por exemplo, a Guerrilha do Araguaia.

Assim como o movimento do Sindicato dos Jornalistas que com as prisões e a morte de Vlado Herzog foi a princípio um grande símbolo daquilo que a opressão do AI-5 representara. A imagem de Marighella e suas atividades dentro do PCB, sua participação no Comitê Central e toda a influência que trouxe da revolução chinesa , bem como as suas obras como a ‘’A Crise Brasileira’’ e ‘’Manual do Guerrilheiro Urbano’’, são exemplos de militância.
Ainda trazendo a influência internacional na ditadura temos as mudanças sofridas pela Igreja Católica, sua modernização e a tentativa de se aproximar das classes populares, ato político que resultou num importante papel da igreja nesse período. A luta pelos direitos humanos devido a essa modernização da Igreja levou a criação da Comissão de Justiça e Paz, trazendo assistência humanitária e jurídica.
Por parte da assistência jurídica é interessante analisarmos o importante papel dos advogados que também atuaram como militantes.
Partidos como o PCB, sob influência da Revolução Cubana (1959) trouxe todo o conceito de campesinato para as lutas armadas. A importância dos estudantes pode também ser citada aqui, tanto na luta armada como nas manifestações trazendo diversas pautas como a liberação da mulher, inovações na criação cultural e a luta contra a censura. Dentro da luta contra a censura temos a presença ímpar do sindicato dos jornalistas, muitos membros que acabaram se filiando a partidos – como Vlado Herzog – exigindo direitos trabalhistas, além da luta contra a censura e os artistas, criando novas formas de driblar a censura explorando diversos modos de se expressar. Aqui temos figuras importantes citando Augusto Boal, Chico Buarque, Geraldo Vandré e por ai vai.
A militância, por fim, foi na verdade um conjunto de diversos elementos e movimentações que se espalhavam pelos diferentes setores dentro da sociedade brasileira. De estudantes a religiosos, guerrilheiros, jornalistas e artistas assim como os advogados. Até hoje, essas diversas comunidades e setores, assim como personagens importantes ainda vivos lutam pela memória dos oprimidos, mortos e desaparecidos.

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