Mulheres

Ao longo da história humana, a mulher sempre esteve presente de forma ativa, principalmente nos momentos de conflitos, por mais que o patriarcado diminua seu protagonismo. Isso não foi diferente durante a Ditadura empresarial-militar no Brasil (1964-1985). Posto isso, este texto intenta demonstrar a presença das mulheres, sua participação, e principalmente, todo o seu movimento de resistência no durante todo o período da Ditadura empresarial-militar. 

Essas mulheres que são símbolo de força, resistência e organização, desafiando a concepção do feminino tradicional e a sociedade machista, pegando em armas na luta armada, liderando sindicatos e organizações políticas, em jornadas duplas, triplas de trabalho. Mães, filhas, irmãs e esposas se engajaram na luta, enfrentaram os ditadores, perdendo até mesmo as suas próprias vidas. 

Parte dessas mulheres que resistiram ao período ditatorial foram atingidas por diversos tipos de torturas, incluindo sevícias, estupros, assistiram seus filhos crianças serem torturados, abortaram em decorrência das torturas, entre outros diversos tipos de humilhação e degradação nos espaços de tortura. Estas violências sofridas sendo uma ferida que ainda permanece aberta e latente, principalmente pelo fato da ausência de reconhecimento desses acontecimentos por parte do Estado.  

Políticas repressoras e reacionárias se alastraram ao longo do período da Ditadura Empresarial-Militar, sendo as mulheres afetadas de maneira mais incisivas nas censuras impostas, que estava em direta relação com a misoginia e com a concepção de mulher do Estado judaico-cristã. (TELES, 2015).  

Essas grandes mulheres que povoaram o Brasil, nos campos e nas cidades, são, em suma, exemplo de luta, força e resistência.

 

Bibliografia: 

FARIAS, Marcilene Nascimento de. A história das mulheres e as representações do feminino na história. Rev. Estud. Fem.,  Florianópolis ,  v. 17, n. 3, p. 924-925,  Dec. 2009 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2009000300021&lng=en&nrm=iso>. access on  02 Oct. 2019. 

GIANORDOLI-NASCIMENTO, Ingrid Faria; TRINDADE, Zeidi Araújo; SANTOS, Maria de Fátima de Souza. Mulheres brasileiras e militância política durante a ditadura militar: a complexa dinâmica dos processos identitários. Interam. j. psychol.,  Porto Alegre ,  v. 41, n. 3, p. 359-370, dez.  2007 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-96902007000300011&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  02 out. 2019.

TELES, Maria Amélia de Almeida. Violações dos direitos humanos das mulheres na ditadura. Rev. Estud. Fem.,  Florianópolis ,  v. 23, n. 3, p. 1001-1022,  Dec. 2015 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2015000301001&lng=en&nrm=iso>. access on  02 Oct. 2019. 

 

Autora: Juliana Queires Hollweg, Mestrado em andamento em História e Património pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, graduada em Sociologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), integrante da linha de pesquisa “Cinema e ditadura em plataforma virtual” vinculado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq: “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”.

Filmes:

Damas da Liberdade – Direção: Célia Gurgel e Joe Pimentel. Documentário, Brasil, 2012, 28 min

HOJE – “Hoje”, Direção: Tata Amaral. Drama/Romance, Brasil, 2011. 90 min

Memórias Clandestinas – Direção: Maria Thereza Azevedo. Documentário. Brasil, 2004. 1h10min.

Vou contar para os meus filhos – Direção: Tuca Siqueira. Documentário. Brasil, 2012. 24 min.

Zuzu Angel – Direção: Sérgio Resende. Drama, Brasil, 2006. 108 min

 

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