“Presídio Tiradentes”

Fonte: Revista Istoé¹

Conhecida como Cadeia da Luz, a Casa de Correção foi inaugurada na cidade de São Paulo, em 6 de maio de 1852, utilizada em suas primeiras décadas como cadeia pública para “arruaceiros e escravos fugitivos”². A estrutura foi pensada para alocar depósitos de escravos – calabouços – e uma casa de correção.

Popularizado, anos depois, como Presídio Tiradentes, durante o Estado Novo (1937-1946), foi palco do encarceramento de pessoas que lutavam contra o regime imposto, como o caso do político José Maria Crispim e do escritor Monteiro Lobato que cumpriram sentenças no local. 

Durante o período da Ditadura Empresarial-Militar Brasileira (1964-1985), o presídio também foi utilizado para o encarceramento dos opositores da ditadura, conhecidos popularmente como “presos políticos’, além dos denominados presos comuns conhecidos como “corrós”.

Existiam 2 pavilhões. Pavilhão I reservado para os presos políticos e o ll utilizado para presos comuns.  No auge da ditadura, com o aumento da população carcerária, o presídio chegou a abrigar 250 presos políticos³, sendo necessária a transferência de presos políticos também para o pavilhão ll.

Além dessa divisão, havia uma ala feminina, utilizada para as presas políticas. O local passou a ser denominado “Torre das Donzelas”, por se tratar da utilização de uma antiga torre circular, vigiada por guaritas, e conexa ao pavilhão ll. Além disso, o termo “donzelas” era usado de forma pejorativa para se referir às detentas.

Fonte: Ipatrimonio

Grande parte dos presos políticos que ali chegavam já tinham passado por ‘interrogatórios’, que incluíam atos de tortura, abuso sexual, ferimentos e extrema debilidade. O local representa uma violação aos direitos humanos pela forma como os encarcerados eram tratados, sem acesso ao cuidado básico, como a assistência médica, além das outras problemáticas existentes em uma unidade prisional que se remontam até os dias de atuais no país.

Em 1973, com a desativação do presídio e posteriormente sua demolição, apenas o Arco de Pedra continuou ali, como resquício de um passado recente. Em 1985, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) tombou o arco em defesa da memória de um período de repressão latente.

 

 

¹ SITE ISTOE. A torre das donzelas. Disponível em: https://istoe.com.br/83253_A+TORRE+DAS+DONZELAS/ Acesso em: 16/09/2019.

² Programa Lugares da Memória. Presídio Tiradentes. Memorial da Resistência de São Paulo, São Paulo, 2014.

³ TELES, Janaina de Almeida. Memórias dos cárceres da ditadura: os testemunhos e as lutas dos presos políticos no Brasil. 2011. Tese (Doutorado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. doi:10.11606/T.8.2017.tde-31012017-140247. Acesso em: 2019-09-16.

4 SITE IPATRIMÔNIO. São Paulo – Portal de Pedra do Antigo Presídio Tiradentes. Disponível em: http://www.ipatrimonio.org/sao-paulo-portal-de-pedra-do-antigo-presidio-tiradentes/#!/map=38329&loc=-23.531639000000016,-46.632748,17. Acesso em: 16/09/2019.

 

Ruth Jacob Pimenta, graduanda em Sociologia, pela Universidade Federal Fluminense (UFF), integrante da linha de pesquisa “Cinema e ditadura em plataforma virtual”, vinculado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq: “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”. Bolsista de Iniciação Tecnológica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

 

Filmes que dialogam com esta temática:

Torre das Donzelas – Direção: Susanna Lira (Documentário, Brasil, 2019)

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