Quem Somos

Este blog integra a Linha de Pesquisa “Cinema e Ditadura em Plataforma Virtual”, vinculada ao Grupo de Pesquisa certificado no CNPq, com o título “Memória, Subjetividade e Ditadura”, liderado pela Profª Dra. Joana D`Arc Fernandes Ferraz, Professora Associada do Departamento de Sociologia e Metodologia das Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF). Pós-Doutora em Memória Social (PPGMS/UNIRIO); Doutora em Ciências Sociais (PPCIS/UERJ); Mestre em Ciência Política (PPGCP/UFF); Graduada em História (UERJ).

Outros integrantes são:

Adriel Vargas, Ana Luise, André Alcantara, Camila Fintelman, Camila Gomes, Danusa Ester Gomes, Eline Pereira, Gabriel Mamede, Gabrielle Medeiros, Jade Aragão, Juliana Queires, Lindsey Fernanda, Marsia Barbosa,Pedro Wigand,Uilton Oliveira, Victor Hugo, Ruth Jacob Pimenta

 

 

 

 

 

Cinema e ditadura em plataforma virtual

A linha de pesquisa “Cinema e Ditadura em Plataforma Virtual” tem como objetivo principal contribuir para a difusão da memória da ditadura empresarial-militar brasileira, por meio da linguagem audiovisual, ligados a um glossário de temas pertinentes a este assunto, com verbetes sobre cada um destes temas.

O diálogo dos temas com as películas nos remete a questões sensíveis, que envolvem diferentes memórias e formas variadas de resistências e de violências que povoam o mundo, em suas infinitesimais formas de manifestação.
A linguagem cinematográfica, por meio dos seus diferentes mecanismos de percepção, composta de quadros, planos, luz, duração, narrativas, sonoridades, silêncios, até mesmo na “superfície opaca de informação” (DELEUZE, 2013, p.28 trad. nossa), possibilita um chamado ao explícito. Expressões que produzem modos infinitos de sensações, experimentações, agrupadas ou descontínuas de tempos e movimentos, que podem possuir uma função legível mais além de sua função visível, que nos sensibiliza e nos interroga. Até mesmo o “fora de campo remete ao que não se ouve nem se vê, e sem dúvida está perfeitamente presente”. (DELEUZE, 2013, p. 32, trad. nossa)

São estes elementos que compõem a pedagogia cinematográfica. Ao construírem o “todo”, não como um conjunto composto de partes, mas como atravessamentos simbólicos em que cada segmento da cena, por mais ínfimo que seja, apresenta-se como possibilidade de comunicar-se infinitamente com outros segmentos, promovendo um pensar constante. O sociólogo Nobert Elias nos alerta que “temos que encarar criticamente as estruturas do discurso e do pensamento que herdamos para ver como elas são úteis na investigação de relações ao nível específico de integração que a sociedade humana representa” (ELIAS, 2008, p. 123). Assim como a percepção de que não há como pensar o indivíduo fora da sociedade e a sociedade fora do indivíduo e de que ambos não são estáticos. “O tecido das interdependências entre os homens é aquilo que os liga uns aos outros. São elas que constituem o núcleo daquilo que se designa aqui como figuração – uma figuração de homens orientados uns para os outros e dependentes dos outros.” (ELIAS, 1989, p. 45)

No início da década de 1980, ainda sob a ditadura, diversos cineastas procuraram apresentar versões cinematográficas sobre este período. O documentário Cabra Marcado para Morrer (1984) e o filme Pra Frente Brasil (1984) são exemplos importantes. Na década de 1990, o projeto neoliberal, no Brasil, produziu um amortecimento da cultura e do cinema. O que resultou em um número muito restrito de filmes nacionais e, conseqüentemente, em um reduzido número de filmes sobre a ditadura.

A partir do final da década de 1990 e nas décadas seguintes, verifica-se um recrudescimento da cultura e do cinema brasileiro. Uma quantidade expressiva de filmes sobre este período de opressão vêm a público. Entre eles: Zuzu Angel (dir. Sérgio Resende, 2006), Araguaya (dir. Ronaldo Duque, 2005), Batismo de Sangue (dir. Helvécio Ratton, 2007), Corte Seco (dir. Renato Tapajós), Hercules 56 (dir. Silvio Da-Rin, 2006), Sonhos e Desejos (dir. Marcelo Santiago), Operação Condor (dir. Roberto Mader, ), Vlado, 30 anos depois (dir. João Batista de Andrade, ), Clandestinos (dir. Patrícia Morán, ), Os Desafinados (dir. Walter Lima Jr, ), Tempo de Resistência (dir. André Ristum, ), Vôo Cego Rumo Sul (dir. Hermano Pena, ), Quando Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hambúrguer, 2007); Cidadão Boilesen, 2009 (Chaim Litewski); Em busca de Lara, 2003(Flávio Frederico);  A memória que me contam, 2012 (Lúcia Murat); Repare bem, 2013 (Maria de Medeiros); Uma longa viagem, 2012 (Lúcia Murat); Infância clandestina, 2011(Benjamin); Marighella, 2012 (Isa Grinspum Ferraz).  Olhares Anistia (Cleonildo Cruz, 2017); Quando chegar o momento (Dôra) (Luiz Alberto Sanz e Lars Säfström, Suécia, 1978).

As mobilizações pelas redes, muitas vezes, escapam ao controle dos poderosos monopólios da comunicação e do Estado. Suas consequências sociais podem sair da esfera nacional e permitir uma comunicação planetária, fazendo pressões de onde o Estado não esperava. Desta maneira, os filmes/documentários servirão, também, como forma de expor para o público as muitas questões que ocorreram no período de exceção brasileiro e que ainda precisam ser mais repercutidas, discutidas e analisadas pela sociedade.