Resistência

O filósofo Michel Foucault nos traz enormes contribuições ao debate ético-político, destacando em seus trabalhos o papel do poder, que vai contra a concepção tradicional através da sua abordagem inovadora do ponto de vista filosófico e metodológico, fazendo uma análise histórica social.

Ao longo de sua obra, percebemos como questão da Resistência está presente de forma inquietante em seu pensamento, e esta está diretamente ligada as diferentes formas de manifestação de poder, pois a resistência é parte fundamental de sua filosofia.

Para entendermos a resistência, é necessário compreendermos os dispositivos de poder, assim como também é preciso investigar os acontecimentos a partir dos movimentos de oposição, que se volta contra o silêncio imposto pelo poder, e as múltiplas formas que o poder tenta absorver a resistência.

Para o autor o poder é uma prática que se exerce e que atravessa toda a sociedade em todas as suas instâncias. O poder não é um objeto natural e hegemônico, qual temos uma teoria geral que dá conta de todas as nuanças e diferentes formas em que o poder se aplica e está presente, para Michel Foucault o poder é uma prática social.

Foucault investiga a maneira em que as diferentes formas de resistência funcionam e atingem o poder. E estas diferentes formas não necessariamente atinge de forma destrutiva e de imediato o sistema capitalista em sua totalidade, diferente de diversas teorias que desconsidera esses movimentos de resistência e apontam apenas a destruição total desses mecanismos de poder.

A análise das relações de poder não foi necessariamente uma escolha, mas sim uma imposição diante dos tempos vividos, para Foucault. A “era de extremos” e da superprodução de poder, o século XX nos traz à tona a intolerância, a miséria, o nazismo, o fascismo, o stalinismo, as ditaduras latino-americanas, as grandes crises do capitalismo, etc. Logo, percebemos que não é simples o fazer filosófico de um pensamento resistente já que este tem como papel desempenhar o contrapoder.  

Sempre nos encontramos no contexto do poder, pois ele se dá de forma vasta e múltipla nas relações. Entretanto, assim como o poder detém esta faceta múltipla e vasta, a resistência também o tem. E é através dessas formas de resistência e de luta contra o aparato do Estado, que é possível inventar e criar novas formas de subjetividade, novos vínculos, e novos estilos de vida, que estão para além das formas de vida individualistas e pobres presentes nas relações de poder.

Bibliografia:

FOUCAULT, Michel. Em Defesa da Sociedade: Curso no Collége de France (1975-1976). Trad.Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Trad. Roberto Machado Galvão. São Paulo: Graad, 2013

Autora: Juliana Queires Hollweg, graduanda em Sociologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), integrante da linha de pesquisa “Cinema e ditadura em plataforma virtual”, vinculado ao grupo de pesquisa certificado no CNPq: “Subjetividade, Memória e Violência do Estado”.

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